sábado, 26 de novembro de 2011





"Às vezes é tormenta,
Fosse uma navegação.
Pode ser que o barco vire
Também pode ser que não..."
"Eu morro de saudades do que era pra viver
E vivo da viagem de reencontrar você
Meus olhos do passado num futuro que nem sei
De tantas outras vidas
Mil pontos de partida
E todos os detalhes do que não aconteceu
Repetem o roteiro pra mostrar você e eu
O filme recomeça e nunca chega até o fim
E nessa nova vida
Não tem a despedida..."


Meio Almodóvar - Lenine


Afinal, o que é 
verdadeiro volta, ou nunca se vai?

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O tipo certo de pessoa errada...


"Eu sei que ela deseja
Que eu seja essa ameaça
A dose de coragem,
A emoção que falta.
E eu tenho tanto medo
Será que é tarde ou cedo?
Eu me sinto dividido entre princípios e desejos..."

Um herói que mata - Leoni

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Definitivo

Definitivo, como tudo o que é simples. 
Nossa dor não advém das coisas vividas, 
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. 


Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos 
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções 
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado 
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter 
tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que 
gostaríamos de ter compartilhado, 
e não compartilhamos. 
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade. 


Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas 
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um 
amigo, para nadar, para namorar. 


Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os 
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas 
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. 


Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. 


Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo 
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, 
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar. 


Por que sofremos tanto por amor? 
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma 
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez 
companhia por um tempo razoável,um tempo feliz. 


Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um 
verso: 


Se iludindo menos e vivendo mais!!! 
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida 
está no amor que não damos, nas forças que não usamos, 
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do 
sofrimento, perdemos também a felicidade. 


A dor é inevitável. 
O sofrimento é opcional...


Carlos Drummond de Andrade

sábado, 12 de novembro de 2011

Prólogo



Eram quatro da manhã, e nenhum som se ouvia além do ritmo descompassado daquela respiração chorosa. Sentada, no escuro, ela deixava as lágrimas caírem pelo rosto. Ainda não raciocinava direito, era só aquele abismo no peito. As coisas iam bem até que ele decidiu que não haveria mais história para eles. Talvez há muito as coisas não andassem bem, mas os olhos brilhantes de afeto que ela tinha, não a deixavam ver os pequenos incômodos que se acumulavam na alma dele. E ele partiu. Aquele "eu te amo, mas vou te deixar" era um paradoxo cruel e sem nexo. Ainda com os olhos úmidos veio o sono, mas não a paz.
(...)
Mais tarde ela veria, ainda muitas e muitas vezes, que "paz" não é uma tradução exata de amor. Aliás, para preservar sua sanidade, ela aprendeu a não  buscar tal tradução. Valorizaria cada gesto, cada telefonema, cada pequena renúncia do outro. Mas levaria a eterna desconfiança das declarações que ouviria. Palavras são manipuláveis, concluiu. Mas ela, não mais.

Será?

“Ele pode estar olhando as suas fotos neste exato momento. Por que não? Passou-se muito tempo. Detalhes se perderam. E daí ? Pode ser que ele faça todas as coisas que você faz, escondida. Sem deixar rastro nem pistas. Talvez ele passe a mão na barba mal feita e sinta saudade do quanto você gostava disso. Ou percorra trajetos que eram seus, na tentativa de não deixar que você se disperse das lembranças. As boas. Por escolha ou fatalidade, pouco importa, ele pode pensar em você . Todos os dias. E ainda assim preferir o silêncio. Ele pode reler seus bilhetes, procurar o seu cheiro em outros cheiros. Ele pode ouvir as suas músicas, procurar a sua voz em outras vozes. Quem nos faz falta acerta o coração como um vento súbito que entra pela janela aberta. Não há escape! Talvez ele perceba que você faz falta. E diferença. De alguma forma, numa noite fria. Você não sabe. Ele pode ser o cara com quem passará aquele tão sonhado verão em Paris. Talvez ele volte. Ou não.”  Caio Fernando Abreu